Vomitar o mundo,
expelir a sua substância irreal e viscosa
como o enfermo que se alivia numa arcada.
E ficar sem mundo,
sustendo o nada na mão
ou talvez uma flor,
que também já não é deste mundo
mas do cerco à cautelosa realidade que o rodeia.

E não buscar então outro mundo.
Renunciar ao infiel conglomerado
sob qualquer das suas formas
e passar o fio solto e invisível
com que se cose o revés dos mundos
pela anti-forma de uma agulha.

E disso retirar sustento,
dessa exemplar frugalidade,
como o canto se sustém do voo
ou o amor de uma ausência.

E dar início à buliçosa anti-história
de criar anti-mundos.


Roberto Juarroz

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