Todas as pessoas que foste
reencontram-se no pavilhão dourado erguido
para o balanço final

Chegas ao fim do último labirinto
cego, sem meios para te encontrares
...........................................................
sem marcas de nascença, sem língua,
com as veias e os cabelos fora dos lugares certos,
perdido dentro do iglu da tua biografia
sem teres como identificar os tipos de branco
esperas que alguém grite pelo teu nome
nesta paisagem inóspita que construíste
para os teus últimos dias e
arrependes-te dos sentidos gastos à luz do candelabro
deste projecto macabro que é findar uma vida

Arranhas as paredes com a velhice das tuas unhas
para que tudo fique com um rasto teu:
pensas em desamores arcaicos, em palavras que te são queridas,
em trivialidades enquanto definhas por dentro
perdendo todas as batalhas e todas as fronteiras

és o carrasco e a vítima
madame serpent à plumes

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