desta amurada

Aceite este pequeno cascalho
empoeirado relicário da minha fé
lasca desencarnada de vida
e sobre ainda estou em pé

inscrevo calcanhares à margem da brita
meu coração palpita sem adormecer
o rio sem peixes das palavras me acorda
pra ver pescadores a ver o mar sem ver

as pedras do calçamento
são a estrela-d'alva definitiva
não sei se migro feito gaivota
pro oceano da minha saliva

o Tejo é mesmo dentro da gente
e enquanto a sereia deseja quem lhe ouça
escrevo entre os seios das coisas
pra que tirar comoção de pedras?


Júlia de Carvalho Hansen
cantos de estima

Sem comentários:

Enviar um comentário