(...) Os gestos de amor continuam tão inaparentes como o que fica por escrever quando abrimos a mão. Tudo se estranha. Os homens em rebanho julgam-se protegidos do desconhecido, mas estão apenas abandonados ao vazio que os rodeia, arrancam a inocência uns aos outros como uma infecção, mas é ela que os permite pressentir o mais vivo sem abandonarem o que os circunda. Cada gesto tem a sua própria lei, poucos homens têm os seus próprios gestos, e somente os que abandonam o que recolheram se descobrem inteiros nas suas mãos.

Ricardo Norte
perigo nº3

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