Entre as mãos do rei fendendo o pó
da sepultura no livro aberto e esta monotonia
de todos os dias
explico a todos os rostos
o que vai mal e irá piorar e
comporto-me dentro do expectável
quando paro em frente da vitrine
a fazer contas aos papelinhos minúsculos
que oscilam ao de leve pelo ar condicionado
dançarino capaz entre malinhas pequenas
e coloridas

entre o que vou vendo e vivendo
entre eu que vivo aqui em cima
e tu que morres aí embaixo
há mil distracções para uma idade tão mal acabada
e um rasto tão avesso a decifração

o meu corpo e eu
e tu
meu cadáver esquecido no meio da festa
que torvelinho é preciso
para que tudo bata certo?

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