Subimos à colina para vermos a nossa terra
- terrenos pobres, delimitados, pedras, oliveiras.
Algumas vinhas descem até ao mar. Junto do arado
fumega uma pequena fogueira. As roupas do avô,
fizemos delas um espantalho para os corvos. Os nossos dias
são encaminhados para um pouco de pão e grandes soalheiras.
Debaixo dos choupos brilha um chapéu de palha.
O galo poisado na vedação. A vaca no restolho.
Como é que, com uma mão de pedra, ordenámos
a nossa casa e a nossa vida? Na padieira da porta
acumulou-se fuligem, ano após ano, das velas da Páscoa
- cruzinhas pequeninas, negras, que os mortos traçaram
ao voltarem da cerimónia da Ressureição. Muito amado é este país,
com paciência e orgulho. Todas as noites, do poço seco
saem as estátuas com precaução e sobem às árvores.


Giánnis Ritsos
Antologia (trad. Custódio Magueijo)

Sem comentários:

Enviar um comentário