O piano silenciava-se. O Tio, sempre a deitar sangue pelo nariz, arrastava os pés para o lado do labirinto no jardim e ia sussurrando imprecações para os jarros dos orbitais tanques de peixes vermelhos, «É isto o dó central do piano, Senhor. É isto, Yeshua? Não trocas a minha assinatura no São Carlos por três gravatas escocesas e uma geisha que e leia o Battutah ou o Polo?» E sentava-se no rebordo do tanque a inquietar o trânsito geométrico e rigoroso dos peixes. Alguns outros narizes apontados ao céu, a perscrutar aquela indecifrável inquietude na fulva violácea chama do balão que alguém lançara de uma quinta das vizinhanças e agora se pulverizava incandescente no breu de Novembro.


Alexandre Sarrazola
Kinderszenen

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