a via simples

Enquanto eu bebo a respiração dum fruto
o tempo chama-me, pelo rio.
Eras uma fonte, no interior,
e procuro agora as tuas espáduas:
no apelo destes pássaros,
no fogo das acácias,
no sangue, que, pelas noites me devoras.
Ah! Eu respiro! Tudo respira
neste fruto. As palavras levantam-me as pálpebras
e os teus pulsos sopram-me as têmporas.
Agora desço já, abaixo, ao Inconciliável:
encontro uma rosa, o humor feminino, um sarcófago.
Sim, tu és uma ânfora silenciosa e mastigo-te
como procuro a ligeireza do meu amor no mundo
incerto da sintaxe. Da sintaxe!
E agora tudo respira suavemente enquanto me
alimento do teu sangue e dos teus ossos de âmbar.
          Respiro a tua voz exangue.


M.S. Lourenço

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