a outra terra

A princípio abraçamos as árvores.
Descansamos com o cisne, o touro, tornamo-nos estrelas.
Melros formam pontes no céu:
passamos, pousando suavemente os pés.
O deus entra nas nossas salas numa chuva de ouro.
Um fio branco, uma mulher, um peixe,
no labirinto intrincado, vêm indicar-nos a saída.
Vamos, dóceis como cavalos.
Quando vem a palavra pura,
com as suas explicações
lisas e frescas como a pele de uma estátua de mármore,
partimos, erguendo-nos da escuridão.
Descuidados e orgulhosos, olhamos para trás
para a outra terra:
como oscila e desaparece,
parecendo uma jovem com uma tarefa a desempenhar noutra sala.


Jane Hirshfield
a mulher do casaco vermelho

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