Com os braços deitados na memória
dos velhos objectos que fazer
que fazer do bronze e da certeza
dos armargos amigos a morrer

dos antigos a boca em cada gesto
amigos o amor que os consome
que fazer se nada reactiva
o mecanismo aos passos e ao nome

se nem pedras nem aves os motores
das estações do ano sobre o corpo
dos rios de metal o que fazer
em cada um de vós em abandono

se queimadas a voz e a garganta
nenhuma forma ou cinza ainda perdura
mais densos os amigos do que a morte
exilados do mar na água dura.


Nuno Guimarães
poesias completas

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