Regressei à poesia.
Àquela de que sempre
gostei:
a poesia elegíaca, narrativa,
de reflexão profunda
e doses medidas de ensimesmamento.
Leio Parcerisas, Joan Margarit.
Releio Juan Luis Panero,
Cesare Pavese e Cernuda.
Descubro os poemas de amor
de Abelardo Linares. Deslumbro-me.
São uma maravilha.
Boa parte da minha própria
poesia não é, sei-o, assim.
Mas uma pessoa nem sempre escreve
o que gosta de ler.
Uma pessoa não escreve necessariamente
o que quer, antes o que deve escrever.
Olha à sua volta e dá-se conta
de que há montanhas de roupa para lavar.
O trabalho sujo.
Alguém - como disse
o meu amigo Iribarren - tem de o fazer.


Roger Wolfe

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