A câmara apanhou o momento:
um escaravelho-macaco no meio do pólen e da fêmea
causando um micro-sismo no epicentro da flor
aberta à generosidade da estação
e nisto chega um oponente de mesma espécie para dar enredo
trágico a este mini-romance e lá estão os dois
dançando vestidos de negro
na areia da flor aberta e batalham e sofrem e
deixam a amada cair do arranha-céus que é essa margarida aberta
na primavera iniciante de um continente estrangeiro

Quando a primeira personagem destes versos venceu
estava manchado pelo sangue amarelo da batalha
e nesse desarranjo levantou voo e foi de encontro
à amada que se encontrava noutra esquina florida

(agora é a altura certa do poeta dizer que ignora
se o final foi feliz ou quebradiço)

Sei apenas que estou parado na noite
diante do halo chuvoso de um candeeiro na rua,

o que não me ajuda a decidir se vi tudo isto num documentário
ou se voltei a tropeçar na memória das tuas mãos a abrirem
no interior do meu guarda-fatos de fantasias bestiais



MF

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