Estás no fim da linha. Uma linha de comboio que não dá para lado nenhum. Nenhum destino possível, nenhuma paragem. Como assim, em pleno século imaculado pelo progresso, uma linha sem um propósito? Tu e a tua bagagem modesta ao sol como insectos minúsculos num frasco de vidro. Em fila indiana, um grupo de gente aprumada aparece subitamente. Um raccord suspeito, pensas. O primeiro indivíduo, indiscritível, inominável, estende-te a mão. Recusas e a mão suspensa a ruminar ansiedades de um ego honesto. O homem desiste e prossegue a jornada. Segue-se uma mulher sem detalhes relevantes para a história que me estende igualmente a mão. Não a cumprimento e ela segue. E assim sucessivamente numa fila demasiado longa para o sítio da intersecção que aqui tivemos, eu e eles. O último da fila diz: se não me cumprimentares o teu percurso acaba aqui. Todo o trabalho, todo o ofício praticado e por praticar, toda a sorte ganha e perdida, tudo o que viste e ouviste, toda a promessa acaba aqui como o trigo que floresce para morrer sozinho no campo dos homens. Só em fraternidade, a glória descerá até ao cumprimento da tua biografia.

A mão suada no bolso em jeito de caçador de algodão encontra uma pastilha petrificada pelo tempo. Livras-te do plástico e procuras o habitual caça da segunda guerra mundial. Para teu desagrado, falhas diante do espectador balouçante e apenas encontras um papel com uma frase solta que não reconheces: Madness, of course — but had I not now stumbled into a nighted world as mad as I? Pensas: toda a minha vida é um filme de suspense mal amanhado. Levantas o rosto, o homem ao sol como uma cana de bambu persistente. Com tiques de panda fugitivo tomas o veridicto final. O homem segue o caminho dos seus.
My standard for verisimilitude is simple and I came to it when I started to write prose narrative: fuck the average reader. I was always told to write for the average reader in my newspaper life. The average reader, as they meant it, was some suburban white subscriber with two-point-whatever kids and three-point-whatever cars and a dog and a cat and lawn furniture. He knows nothing and he needs everything explained to him right away, so that exposition becomes this incredible, story-killing burden. Fuck him. Fuck him to hell.


David Simon

II

Tão pequenas
a infância, a terra.
Com tão pouco
mistério.

Chamo às estrelas
rosas.

E a terra, a infância,
crescem
no seu jardim
aéreo.


Carlos de Oliveira

the only way

the cathedral of Amiens



France, 1918